Francisco Manna (Itália,1879-1943 ,Brasil). 

          “Meninos vendo passarinho ferido nos arredores do Andarahy” 

 Óleo sobre tela

           Dimensão: 0,51 cm por 0,44 cm. 

           Assinado c.i.e.   circa de 1920  -  Rio de Janeiro – Brasil.

            Coleção Particular.

 

Nascido na Sicília,nos anos iniciais do  ultimo quartel do século XIX e falecido no Rio de Janeiro.

Originário de família muito pobre, que cedo viu-se obrigada a emigrar, chegou ao Brasil em 1888 e se fixou inicialmente no Estado do Rio Grande do Sul.  Sua infância não podia ter sido mais dura: tendo cursado a escola primária apenas o tempo suficiente Nascido na Sicília,nos anos iniciais do  ultimo quartel do século XIX e falecido no Rio de Janeiro. Originário de família muito pobre, que cedo viu-se obrigada a emigrar, chegou ao Brasil em 1888 e se fixou inicialmente no Estado do Rio Grande do Sul. Sua infância não podia ter sido mais dura: tendo cursado a escola primária apenas o tempo suficiente para aprender a ler e a fazer contas, foi sucessivamente moço de recados, jornaleiro, carregador, engraxate e vendedor de bilhetes lotéricos desde cedo manifestando, porém, uma ponta para o desenho, tanto que copiava tudo quanto lhe tombasse nas mãos.

Aos 17 anos conheceu o pintor Romoaldo Pratti, que passou a orientá-lo. Por iniciativa desse seu compatriota foi que em 1898 expôs na loja Ao Preço Fixo, de Porto Alegre, uma cópia de um óleo de Etcheverry, então no auge do sucesso em Paris. A cópia suscitou comentários favoráveis na imprensa e Manna, animado com tais sucessos, já em 1901 expunha duas pinturas na Exposição Comercial e Industrial.  No ano seguinte, embarca para Roma, em cuja Academia de Belas Artes se inscreve. Mas não ficaria muito na Itália, pois já em meados de 1903 acha-se no Rio de Janeiro como aluno da Antiga Escola Nacional de Belas-Artes, tendo estudado com grandes mestres como Henrique Bernardelli, Zeferino da Costa e Baptista da Costa. Seu primeiro trabalho enviado ao Salão, foi em 1906, granjeia-lhe menção honrosa e elogiosas referências de Gonzaga Duque,importante cronista especializado em Artes Plásticas da época.:

«O seu estudo ao ar livre, o Claro-Escuro e a Luta pela Vida são obras que afirmam uma personalidade incipiente. Como interesse artístico preferimos o estudo ao ar livre e a Luta pela Vida ao grande quadro Claro-Escuro Social, mas em todos encontramos o mesmo sentimento da cor, a mesma facilidade da pintura, o mesmo cuidado do desenho.»

Sentimento cromático, pintura solta e desenho apurado continuariam sendo pelos anos afora as qualidades básicas do estilo de Manna, que em certas obras aproxima-se mesmo de certa atmosfera fauve toda especial.

 Em janeiro de 1908 o pintor expôs na Galeria Rembrandt, do Rio de Janeiro, nada menos de 100 quadros, entre paisagens e obras de nítida conotação social.

Gonzaga Duque, embora vaticinando o futuro brilhante do jovem pintor ("chegará a ser um grande artista, porque lhe sobejam dotes de artista"), recrimina-lhe o conteúdo social de certas telas, no seu entender pruridos passageiros da mocidade:

«A sua arte tende para os assuntos sociais, é uma manifestação idiossincrásica que o jovem pintor, sem dúvida por ardência ou precipitação courbetista da idade, não apura, não joeira, para um perfeito aproveitamento estético.

«Percebemo-lo ainda no aludido período dos motivos assombrantes, que não deixam de ser agradáveis à mocidade mistificadora, cachinando no espanto dos ordeiros e regulados; mas que em verdade se perdem na grosseria ou na vulgaridade se não forem genialmente representados pela mão nervosa e predestinada de um Goya.»

Francisco Manna continuaria a enviar para as Exposições Gerais e a nelas ser premiado: na de 1909 obteve a medalha de prata, e na do ano seguinte o prêmio de viagem à Europa.

Uma desilusão, contudo, o aguardava: o Governo, acolhendo uma feroz campanha dos desafetos do artista, terminaria por anular a premiação, sob a alegação de que Manna não só era estrangeiro, como já estivera inclusive na Europa em viagem de estudos.

Sorte bem mais branda fora a de Helios Seelinger, alguns poucos anos antes: pudera retornar à Europa, com o prêmio de viagem do Salão de 1903, muito embora acabasse de regressar de uma permanência de quatro anos na Alemanha, cujas escolas de arte cursara...

Por tudo isso, é licito indagar se na campanha movida contra Manna não se escondiam ainda os temores pelas tais "precipitações courbetistas da idade" citadas dois anos antes por Gonzaga Duque; se motivos políticos, em suma, e não administrativos, teriam determinado o cancelamento do prêmio.

Impossibilitado de viajar, Manna nunca mais deixaria o Brasil. Mas não esmoreceu. Com Helios Seelinger, logo depois, trabalhou nas decorações do Clube Naval do Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que, para ganhar a vida, tornava-se desenhista do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista. Participou ainda de alguns poucos certames, como o Salão de Outono de 1926 e o XI Salón de Rosário, na Argentina, em 1929.

As paisagens que deixou são belas de colorido e apresentam uma fatura livre e encrespada, acusando sua evolução estilística um gradativo afastamento da influência de seu mestre e amigo Baptista da Costa, a princípio muito forte.

 Melhores que as paisagens parecem-nos porém suas composições de paisagens com figuras, resolvidas em rápidas pinceladas, dentro de um esquema cromático quase expressionista.

Fontes:

Um Século de Pintura de Laudelino Freire.

Pintura Brasileira de Gonzaga Duque.

Dicionário de Artes Plásticas de Roberto Pontual.

 

 

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